domingo, 26 de julho de 2015
domingo, 19 de julho de 2015
UNE FEUILLE DE PAPIER
desses dias em que a saudade é
tanta
que o coração tenta buscar
uma canção,
um sorriso,
um gesto que ficou no tempo
registrado na memória
em aço e
concreto armado,
eu quero um ano,
uma década,
um século
e, quem sabe, um segundo dos teus
passos
percorrendo meus caminhos
tortuosos,
enquanto me distraio
inventando um final feliz.
à noite,
quando o silêncio disse a que
veio,
alguém pegou o livro com a minha
história
e fez o maior estrago.
desde então,
ando perdido neste labirinto azul,
teimando à beira do precipício,
dando murro em ponta de faca.
só agora sinto
que o tempo passou,
o bonde passou,
que as palavras pesam e
que uma simples folha de papel
queima em minhas mãos.
[Vôgaluz Miranda - ACORDOABSURDO]
quinta-feira, 16 de julho de 2015
O OTIMISTA
Não li os jornais da semana
passada nem me preocupei com as roupas no varal.
Não cai de costas com as mentiras
da televisão.
Não levantei, não arrumei a cama.
Segunda-feira não acendi vela para a minha alma.
Não fui à escola, também não quis
estudar.
Desisti da minha coleção de
figurinhas, das músicas e poemas.
Procurei não saciar a minha sede
de certezas.
Não lamentei meus erros nem
desejei voltar atrás.
Não tropecei na escada.
Não comemorei o gol do meu time.
Dei razão a Stevie Wonder, “I
just called to say I love you”.
Nunca mais te convidei para sair, tentei
me esquecer de todos os teus nãos.
Não fiz a barba, não disse
besteiras e não provei o café.
Não sorri da tola piada.
Furei a greve.
Não quis acreditar no que parecia
normal.
Não pisei na grama e não
transgredi as regras.
Não tive medo da escuridão da
noite.
Não corri da chuva.
Deixei de lado toda a razão que
nunca tive.
Decidi guardar todos
os sins para te dar.
[ACORDOABSURDO - Vôgaluz Miranda]
domingo, 12 de julho de 2015
MESMICE
é a mesma estrada. é o mesmo
mundo. a mesma forma de escrever os mesmos versos. o mesmo embrulho, presente
velho. e mesmo a hora de mudar de opinião. é tudo o mesmo nada. sempre o mesmo
medo. ontem o mesmo frio no mesmo cedo. e eu sempre o mesmo. o mesmo amor. a mesma
paixão nas mesmas voltas do coração. os mesmos livros e as mesmas palavras. a mesma
massa pro mesmo pão. o mesmo tombo no mesmo chão. é “mais do mesmo” da Legião. e
a mesma rima sem solução. da janela a mesma rua. na mesma tela de paisagem
mesma. ando ensimesmado comigo mesmo. gosto de fazer o mesmo, da mesma forma,
com as mesmas normas, o mesmo enredo.
um raio de sol aquece o ar e toca
as flores com dedos quentes. fico feliz ao dizer que um novo dia vem sempre
do mesmo gesto, depois da mesma noite de todo dia, para que possamos prosseguir
fazendo as mesma coisas com todas as nossas diferenças.
[Vôgaluz Miranda - ACORDOABSURDO]
domingo, 14 de junho de 2015
segunda-feira, 27 de abril de 2015
O equilibrista
Enquanto o mundo gira
o equilibrista caminha na corda bamba
sobre as cabeças que carregam toneladas de problemas
sobre os carros estressados e entupidos de fumaça
acima dos prédios cheios de vidas complicadas
abaixo apenas do céu
do sol
de Deus
da lua e das estrelas.
[ACORDOABSURDO - Vôgaluz Miranda]
domingo, 12 de abril de 2015
SERIAL KILLER
Eu quase confessei os meus crimes
Que não foi por acaso cada ocasião
Que no momento exato houve inspiração
Que no fim da linha há uma nova estação
Que tudo o que fiz foi de coração
E mesmo que eu jamais esclareça o que é tão comum
Acho que o meu maior crime foi amar sem motivo
algum.
ACORDOABSURDO - Vôgaluz
terça-feira, 10 de março de 2015
ORELHA SECA
Orelha seca escutas tudo o que não te diz respeito! Atrás das portas, na vizinhança, calada da noite, à luz do dia. Muitos são os segredos que tanto ouviste e que ninguém contou. Orelha seca, amiga da boca torta, enorme, tagarela, decodificadora da mensagem distorcida da vida alheia, és como esponja absorvedora do desconhecido, viras do avesso cada destino. Orelha atenta, seca e insensível é melhor que escutes bem para não te equivocares no entendimento do que não interessa para tanta gente, mas para ti, orelha orelhuda, o que mais interessa é o que não devia. Orelha gigantesca, presunçosa, bagunceira, pilantra, te finges de mouca, ponteando cada palavra sussurrada no fundo da tua parede auditiva, bisbilhotices mais que necessárias. Orelha de pelo, de lã de carneiro, deixe minha vida em paz, deixe meus segredos serem secretos, sabias que um dia Van Gogh não a quis? Tá me ouvindo, orelha seca? Tá me escutando, porra? Tá me escutando, porra? ... Hein?
[Revocê - Vôgaluz Miranda]
sábado, 28 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
MIOPIA PÚBLICA
Enganaram você
Você nem percebeu
Se você estiver certo
O enganado sou eu
O “jabá” rola nas rádios
A televisão tem seus macetes
Meus ouvidos doem
Com tanta música demente
Qual será a melhor mentira
Das revistas e dos jornais
“O país mudou”, “Sua vida
melhorou”
Ah! Assim já é demais!
Estragaram você
E ninguém interveio
Se isso tudo é bonito
Eu prefiro ser feio
A maior cantora
Me mata de vergonha
Desafina e disfarça
Que vozinha medonha!
O poeta sem mensagem
Dissimula erudição
Envenena a poesia
Que baita fanfarrão!
Não se faz política
Se não houver alianças
Deus e o diabo no mesmo altar
E a festa vai recomeçar
No fim das contas
Você é quem dança
Apertam a sua mão
Quando é conveniente
Cuidado com os lobos
Que escondem os dentes!
Você acredita na
especialização
Da crítica “jabaculê”
Roubam sua mente e
desesperadamente
Você ainda paga pra ver
Fuzilaram você
Que acha que não morreu
Se você está vivo
O defunto sou eu
Não querem que você tire
Suas próprias conclusões
O photoshop transforma
Barangas em aviões
Você, cidadão honesto, que paga
as contas em dia
Até quando será herói
Enfrentando os juros que
corroem
Seu salário mixaria?
É tanta enganação
Que não vale a pena não
Perder mais do meu tempo
Nessa longa explanação
É tanta enganação
Que me dói o coração
Se você tem certeza
Eu perdi a razão.
REVOCÊ - Vôgaluz Miranda
sábado, 3 de janeiro de 2015
EU QUERIA ESCREVER UM POEMA
Eu queria escrever um poema que unisse os nossos corações
Depois da loucura de procurar razão onde havia delírio
Perdi meus passos no dia em que errei o seu caminho
Minhas mãos tremem e é quase insuportável o peso das chaves
Por isso, a porta continuará fechada até você voltar
Não queria fazer drama
Não queria suplicar
Não queria chorar
Eu só queria escrever um poema que falasse da gente
Que tocasse na mais linda canção de amor
E que trouxesse de volta tudo o que a gente não viveu.
Vôgaluz Miranda - Revocê
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
SEPARAÇÃO
De dois fica um...
De três não ficam dois.
De três fica um... e meio.
Sim, porque a outra metade
Jamais estará completa...
A vida... A vida é uma casa repleta de portas e
janelas,
A gente pensa espreitar o mundo pelas frestas,
Mas cabe a cada um abri-las, saudando a claridade,
Ou trancá-las e na escuridão dormir o sono de todo
tempo.
Submeto meus delírios a todos os que já sofreram
incompreensão
E deixo no ar o inevitável sabor da separação,
Pois, quase sempre, de dois fica um...
Pra cada lado.
Vôgaluz Miranda - Revocê - 2014
sábado, 15 de novembro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
O Semeador
Lanço um punhado de sementes contra o vento
Há em meus olhos primaveras de saudade
Quero que a chuva considere-se importante
E que meus sonhos não se percam no futuro
Pássaros voam pelo sol do meio-dia
Enquanto eu penso numa nova juventude
A boa terra representa toda gente
Lava-me as mãos com meu suor no sacrifício
De arar os campos na tristeza de um sorriso
Ouvindo as vozes dos fantasmas redivivos
Neste silêncio decadente e imperfeito
Moinhos velhos na inércia não mais giram
Olho pro céu e observo o vão milagre
De ter a brisa ressurgida nas sementes
Novas pessoas, novos sonhos, novo amor
Um brilho intenso de esperança e muita paz
Neste chapéu que um par de olhos bem cansados
Guarda da luz, calor do sol, meu rosto queima
O meu tesouro está no cheiro dos morangos
Das framboesas, dos melões e melancias
Quero rezar ajoelhado sobre a terra
Uma oração que traga nova vida aos homens
Que Deus dê forças pra este velho esperançoso
Que das sementes brote a nova humanidade
Poema: O Semeador - Revocê - 2014 - Vôgaluz Miranda
Pintura: O Semeador - Vincent Van Gogh - Arles - França - 1888
domingo, 5 de outubro de 2014
sábado, 13 de setembro de 2014
PEQUENA
Pequena,
os hipócritas na sala de espera têm sorrisos
amarelos,
mas você me fortalece com sua atenção.
Passo dias inteiros a me lembrar do seu rosto
e noites a fio a pensar no futuro.
Pequena,
os inimigos estão a postos,
são tanques de guerra contra nossos corações.
Nós somos flores e eles flutuam sobre o nosso
jardim.
No entanto, o magnetismo do seu carisma
fez de toda a artilharia inimiga versos de um
poema.
Pequena,
quando eu não podia mais caminhar
você me levou pra bem longe e tudo o que eu queria
era voltar
pra ver novamente a minha vida nos seus olhos.
E agora, de cara lavada, tento ter coragem pra
pedir
- pela última vez-
pra você cuidar de mim.
Pequena,
você é grande demais!
Vôgaluz - Revocê - 2014
domingo, 3 de agosto de 2014
O Chamado
Se ouvires a voz do amor
na rua cheia de casas onde moras,
corre depressa até a janela,
depressa, depressa, depressa...
acene, gesticule, grite para o amor!
Caso contrário,
ele pode dobrar a próxima esquina
ou descer a primeira ladeira que encontrar pela
frente
e nunca mais passar na tua rua.
e nunca mais passar na tua rua.
Vôgaluz - Revocê
quarta-feira, 23 de julho de 2014
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Diário de Caxias : Entrevista com Vôgaluz Miranda.
Diário de Caxias : Entrevista com Vôgaluz Miranda.: Por Gilvaldo Quinzeiro A foto acima é do paulistano Vôgaluz Miranda, o nos...
sábado, 5 de julho de 2014
ALGUNS POEMAS
Alguns poemas descem as escadas do céu em busca do
inferno;
São azuis ou sombrios como os sonhos das virgens
cheias de vontades;
Tecem as roupas de vento com as quais o destino se
veste;
São tristes formas de dizer “Adeus”.
Alguns poemas fazem as malas e param na porta de
saída jurando amor eterno;
Outros se vão para nunca mais;
Se molham na chuva dos teus olhos;
Se atrevem na noite em busca de paz;
Acolhem almas em conflito.
Alguns poemas são gás lacrimogêneo contra a
multidão;
Abortam filhos que morrem de medo da escuridão;
Precisam de camisa de força;
Precisam de camisa de vênus;
Servem para ninguém ler.
Alguns poemas, assim como este, jamais deveriam ter
sido escritos.
"Alguns Poemas" - REVOCÊ - Vôgaluz - 2014
quarta-feira, 2 de julho de 2014
ANA
eu precisava de você na quarta-feira do dia
10 de outubro de 1984
primavera
primavera
enquanto meu rosto menino
sentia coisas de menino
sentia coisas de menino
e minha pele transpirava paixão de gente grande
precisava de roupas coloridas
de óculos escuros
de tudo o que nunca tive
inclusive você
não de roupas usadas
não de calças doadas
nem do tênis bamba cabeção
que eu morria de vergonha de usar
em meio a comentários do tipo:
“não tenho coragem”
e lá vinha você cheia de broches do Menudo
com a novela das 8 na ponta da língua
e meu coração na sola dos pés
eu mendigava um pouco de atenção
de um par de olhos altivos
que sabiam me desprezar como ninguém
ah! como eu era bobão
você gostava tanto daquela música
do grupo Grafite
até cantarolava: mama maria
mas eu gostei mais da outra: fantasia
e do clip do Paul MacCartney
era tão bonito
“no more lonely nights”
rabiscava seu nome nas minhas pernas
tatuagem imaginária
estupidamente patética
e minha paz nas suas mãos
você foi embora e nem se despediu
tudo bem, levei algum tempo para descobrir
que eu precisava de você
que eu realmente precisava de você
a milhares de quilômetros da minha vida.
ANA'N'80'S - REVOCÊ - Vôgaluz Miranda
domingo, 25 de maio de 2014
quinta-feira, 22 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
sábado, 26 de abril de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
domingo, 30 de março de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
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