sábado, 31 de março de 2012

SÃO TOMÉ

Acordei no breu da noite
Levantei da cama fria
Perdido na madrugada
A casa estava vazia
Tremendo de desespero
Rezei pra Santa Maria
Nunca quis acreditar
Nas coisas que me diziam
Pediram-me paciência
Que tudo melhoraria
Era questão de urgência
Mentira sobre mentira
Meus olhos viram cansados
A face da hipocrisia
Naquilo que me contavam
Naquilo que me diziam
Alice foi enforcada
No país das maravilhas
A sorte estava lançada
Mas ela não saberia
Que a forca nada mais é
Que uma falsa artilharia
De tudo o que ela pensava
De tudo o que ela fazia
Minha história é diferente
Tem no beijo a primazia
De tudo o que me contaram
De tudo o que me diziam
Mas eu nunca acreditei
Jamais acreditaria
Numa mensagem de paz
Nascida da covardia.

(In: Canções para os intervalos - 2011)

* Pintura acima "a incredulidade de São Tomé", Caravaggio, 1599.

5 comentários:

  1. Gostei, muito agradável de ler. Parabéns pela postagem. Bjo!

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  2. Zezinha Lins, muito obrigado pela gentileza. Abraços. Vôgaluz

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  3. Saudações quem aqui posta e quem aqui visita.
    É uma mensagem “ctrl V + ctrl C”, mas a causa é nobre.
    Trata-se da divulgação de um serviço de prestação editorial independente e distribuição de e-books de poesia & afins. Para saber mais, visitem o sítio do projeto.

    CASTANHA MECÂNICA - http://castanhamecanica.wordpress.com/

    Que toda poesia seja livre!
    Fred Caju

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  4. Muito belo...harmonia do tecto com a pintura! Parabéns!

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  5. Quis dizer harmonia do texto com a pintura!

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